quinta-feira, 5 de abril de 2007

Reflexões sobre a morte

Morrer deve ser como dormir. Você nem vê acontecer. Tenho pensado em como será a minha hora, em quanto tempo ainda tenho (ou não) aqui. O homem, com toda a sua grandeza intelectual, não conseguiu medir isso. Ninguém sabe, ninguém espera. Todos vivemos como se fôssemos eternos. O fato de eu estar pensando sobre isso, antes de uma tendência suicida, é uma forma de valorizar o presente, de dar valor ao que e a quem realmente interessa. Se o meu momento chegar agora, não terminarei estas linhas, minha casa ficará por limpar, meus livros por ler, meus amores por amar, a Dolores por alimentar. Revirarão minhas coisas, descobrirão o que não quero revelar, segredos públicos que não existem. Nada disso é meu, além de mim mesmo. Quantas pessoas chorarão sobre o meu corpo inerte? Quantas se refestelarão? Será que pagarão as dívidas que ainda não paguei?
A Ayda disse que ela quer mais é viver. Uai, eu também! Aliás, estamos todos vivendo, bem ou mal. O que ela quis dizer é que quer aproveitar o melhor que a vida tem a oferecer. Só que isso é o que menos se faz. Todos nós, Nenhum de nós. Talvez alguns poucos de nós.
Estou tentando encontrar um sentido para a vida, algo a que me prender. Não quero morrer agora, longe disso. Só estou tentando encontrar uma forma de fazer com que a minha existência não seja vã. Quero deixar algo, escrever um livro, ter filhos e poder vê-los crescer. Acreditar que não estou fazendo nada para que isso aconteça me entristece.
Se pensar um pouco, desisto da eternidade: não há motivos para buscá-la. Mais vale deixar boas lembranças no coração das pessoas que me cercam. Para que servirá o status, a fama, o dinheiro, se isso não me permitirá mais anos de vida? E ainda existe o outro lado da moeda, no qual esse tipo de vida traz consigo novos “problemas”. É por essas e outras que não devo me apegar a ideais alheios ou a amores vazios e congêneres.

2 comentários:

claudinha disse...

Se nascessemos sabendo quanto tempo tinhamos até a morte,com certeza não viveríamos,passaríamos o tempo esperando e contando.A grande sacada da vida está justamente em viver como se o seu dia fosse o último,passando sua vida a limpo todos os dias,sem arrastar correntes.Nem sempre conseguimos isso,mas vale tentar.De acordo c a ciencia somos os unicos seres no planeta q tem consciencia da morte iminente,e desperdiçamos tanto tempo c questões vãs,c utopias,sonhos de Ícaro...acabamos morrendo sem ver a vida passar.

leo disse...

Nós somos obrigados, após nascer, a três coisas básicas: sobreviver, comunicar-se e morrer.Se nós quisermos pular as duas primeiras, ok você tem todo o direito mas vai direto para a terceira.A única que não podemos influênciar no sentido de evitar é a terceira. Podemos evitar a segunda, mas não ficaremos muito tempo na primeira. Se não tentarmos cuidar da primeira vamos direto para a terceira. Se dermos maior atenção à primeira e segunda chegaremos bem e longínquos à terceira. Como podemos ver, a morte é inevitável, por isso devemos nos preocupar com ela só no final, devemos prestar mais atenção na vida e nas pessoas que nos cercam.
Leandro.